Histórico
 26/03/2006 a 01/04/2006
 26/02/2006 a 04/03/2006
 29/01/2006 a 04/02/2006
 26/12/2004 a 01/01/2005
 28/11/2004 a 04/12/2004
 31/10/2004 a 06/11/2004
 26/09/2004 a 02/10/2004
 29/08/2004 a 04/09/2004
 08/08/2004 a 14/08/2004


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis


 
Livro se abrindo


COMO DESCOBRI CHICO BUARQUE

Luiz Botelho (Abril/2006)

Quase todas as pessoas que me conhece sabe o quanto eu admiro a obra musical e teatral de Chico Buarque. Em 1966, quando ele venceu o II Festival de Música Popular Brasileira com a música "A Banda" e se tornou conhecido nacionalmente, eu, com apenas 10 anos de idade, ainda não tinha um interesse musical definido. Dos quatro elepês que Chico gravou entre 1966 e 1969, nenhuma música despertou minha atenção na época de seus lançamentos. Não me dei conta também, em 1970, da famosa canção "Apesar de Você", cujo compacto vendeu 100.000 cópias em uma semana, até ser censurada e proibida sua execução pela Ditadura Militar. A primeira música de Chico que eu aprendi a cantar integralmente foi "Construção", lançada em 1971, que fez muito sucesso, sendo bastante executada nas estações de rádio, mas, devo confessar, naquela época a minha música favorita tinha o seguinte refrão: "Eu te amo meu Brasil / Eu te amo / Meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil / Eu te amo meu Brasil / Eu te amo / Ninguém segura a juventude do Brasil" – Estava totalmente alheio ao que ocorria no meu país.

Ao ingressar na Universidade, no curso de Engenharia Civil, em 1975, recebi um convite do Movimento Estudantil, junto com os demais calouros, para participar de uma reunião na Escola Politécnica, onde se dariam as boas-vindas aos novos universitários. Compareci ao encontro não tanto pelo Movimento Estudantil em si, mas pela oportunidade de ter acesso à minha escola, o que só era permitido a partir do 3º semestre naquela época. Pois foi justamente nesta reunião que eu descobri definitivamente Chico Buarque. Os estudantes estavam preparando um manifesto, para ser distribuído durante uma passeata que estava sendo organizada, e nele havia um texto que me tocou profundamente. Era tão bonito que eu quis saber qual dos colegas o tinha escrito. Um dos veteranos, que eu conheci naquele dia e começamos ali mesmo uma amizade após ele ter me confundido com meu irmão, seu colega, que era muito parecido comigo, me disse que o poema era de Chico Buarque e me emprestou, neste mesmo dia, o livro "Gota d’Água" do qual o texto foi copiado e que dizia: "Eles pensam que a maré vai mas nunca volta. Até agora eles estavam comandando o meu destino e eu fui, fui, fui, fui recuando, recolhendo fúrias. Hoje sou onda solta e tão forte quanto eles me imaginam fraca. Quando eles virem invertida a correnteza, quero saber se eles resistem à surpresa, quero ver como eles reagem à ressaca".

Fiquei encantado com o livro e fui na livraria comprar um outro, sobre a peça "Calabar, o Elogio da Traição", de Chico e Ruy Guerra, cuja apresentação teatral tinha sido proibida pela censura militar, segundo informação do meu novo amigo. Ao mesmo tempo peguei emprestado do meu irmão mais velho os três primeiros discos de Chico e gravei as músicas em fitas cassete. Fui ainda nas casas de discos e comprei outros elepês e compactos de Chico que consegui encontrar e começou deste modo uma paixão que perdura até hoje.

Poucos calouros compareceram àquela reunião com os veteranos. Fico feliz por ter sido um deles. Nunca tive coragem suficiente para participar ativamente do Movimento Estudantil, mas sempre admirei àqueles que reagiam, não se conformando com o cerceamento da liberdade, assim como fizeram Chico Buarque e este meu amigo, cada um do seu jeito. Com relação ao livro emprestado, não lembro a razão de nunca o ter devolvido, pois por alguns anos mantive contato regular com o seu antigo dono. Já faz muito tempo que não o vejo ou tenho notícias dele, mas guardo com carinho este livro (valorizado por conter sua assinatura) que foi o marco zero da minha paixão pela obra de Chico Buarque.

 



Escrito por Luiz Botelho - Salvador - Ba. às 01h34
[] [envie esta mensagem]



UM BOM ALUNO DEVE RESPONDER ÀS QUESTÕES COM BASTANTE CLAREZA?

Luiz Botelho (Março/2006)

Eu não gostava muito de estudar, principalmente quando a matéria ou o assunto não me interessava vivamente. Isso me causou problemas em todas as minha fases escolares, do primário à universidade. Apesar disso, sempre mantive um bom relacionamento com quase todos os meus mestres, embora eu perturbasse de vez em quando o bom andamento das aulas dizendo algumas frases de efeito, minha especialidade, o que sempre provocava risos generalizados dos demais alunos e, às vezes, dos próprios professores.

A melhor recordação dessas brincadeiras que guardo na memória vem de quando eu tinha 15 anos e cursava o 1º ano secundário, mesmo tendo sido reprovado direto naquela oportunidade em todas as matérias sem direito a fazer as provas finais.

Numa das provas de História Geral, das dez questões discursivas, apenas duas ou três eu conseguiria dar uma enrolada e escaparia de levar um zero. As outras questões, eu não fazia a menor idéia do que se tratava. Não tinha estudado a matéria e não havia escapatória – outra nota baixa. Porém, depois de ler atentamente às instruções que o professor colocou antes do enunciado das questões, algo me iluminou e eu acabei por responder todas elas utilizando integralmente os quatro lados do papel pautado.

Esse professor tinha o hábito de entregar as provas da nota mais baixa até a mais alta, chamando aluno por aluno que se dirigiam à sua mesa para pegá-las. Os primeiros que eram chamados já sabiam que tinham se dado mal. Iniciada a distribuição das provas, eu comecei a ficar bastante preocupado, pois meu nome não constava entre os primeiros como era habitual. Entregue a penúltima prova – um dez ao melhor aluno da sala – só eu não tinha sido chamado. Então, o professor começou a fazer um discurso que transcrevo a seguir mais ou menos do jeito que eu me lembro: "Estou aqui com uma prova de um aluno que só há pouco tempo atrás consegui definir sua nota. Em todos esses anos que ensino, eu nunca tive tanta dificuldade em corrigir uma prova. Fiquei alguns dias tentando encontrar uma razão para as respostas dada por esse aluno. Mostrei a prova à minha esposa, também professora bem experiente, e ela, sem pestanejar, sugeriu um zero bem redondo. Não era simples assim. Alguma coisa estava por trás daquelas respostas, só que eu não estava conseguindo entendê-las. Hoje pela manhã, no trajeto de casa para a escola, minha esposa ao volante, eu ainda observava essa prova que tanto me intrigara. Que nota devo dar? – me questionava constantemente. Foi quando, de repente, finalmente, enxerguei a lógica por trás das respostas. Dei gritos de felicidade e alívio que assustaram minha esposa ao lado: Heureca! Heureca! Fantástico! É um gênio! Merece um dez!. Minha esposa pediu que eu me controlasse e deixasse de maluquice, pois esse moleque merece zero e uma boa surra dos pais." O professor, então, em tom solene, finalizou: "Por favor, Sr. Luiz Antonio Mendes Botelho, levante-se." (Naquele momento eu já não sabia aonde enfiar a cara. É exatamente nessas horas, em que me torno o alvo das atenções, que a minha timidez aflora até a pele – o sangue totalmente concentrado em minha face). "Meu caro", prosseguiu ele, "como professor de História não tenho outra opção a não ser lhe dar uma nota zero. Porém, como que para te compensar os momentos de euforia que você me proporcionou nestes últimos dias, peço que toda a turma te aplauda de pé e gostaria de te dizer que, do fundo do meu coração, você merece a maior nota do mundo."

Honestamente, acho que esse querido professor exagerou um pouco nos elogios. A brincadeira (ou molequeira) que fiz foi a seguinte: Uma das instruções da prova, pedia que os alunos respondessem às questões com bastante clareza. Eu não contei conversa: Questão 1 – Clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza...; Questão 2 – Clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza...; ... ; Questão 9 – Clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza...; Questão 10 – Clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza..., e fui assim, respondendo todas as questões com bastante clareza, até preencher completamente o papel pautado.

Ao repetir esta série, no ano seguinte, não tive o privilégio de ser aluno, mais uma vez, desse professor de História Geral, mas fiz questão de lhe mostrar as boas notas conseguidas por mim na matéria em que ele era mestre. A partir de então, tive um razoável desempenho em todas as matérias até à conclusão do curso secundário. Na Universidade, a coisa novamente desandou, mas isso já é uma outra história...



Escrito por Luiz Botelho - Salvador - Ba. às 00h34
[] [envie esta mensagem]



CAMPEONATO BAIANO MUSICAL

Luiz Botelho (Fevereiro/2006)

Antigamente, quando eu dispunha de mais tempo para o lazer, passava horas ouvindo músicas nas estações de rádio AM, aqui em Salvador. Minhas estações preferidas eram a Rádio Cruzeiro e a Rádio Bahia, ambas já extintas, que dedicavam um tempo maior do que as outras na execução de canções.

Gostava também de escutar os jogos do Bahia no meu radinho de pilha, companheiro inseparável nas minhas idas à Fonte Nova.

A minha paixão pela música, futebol e rádio era tanta que por muitos anos organizei torneios entre as emissoras de rádio de Salvador. Eram umas sete ou oito estações que jogavam entre si, em turno e returno. A campeã do 1º turno disputava uma melhor-de-três com a campeã do 2º turno e se a mesma emissora vencesse os dois turnos era declarada, automaticamente, Campeã Baiana Musical. Os jogos se desenrolavam da seguinte maneira: durante 45 minutos eu ia mudando o dial do rádio até sintonizar uma das emissoras concorrentes e caso estivesse tocando uma música que fosse do meu agrado era consignado um gol para essa estação. Porém, para que o gol fosse validado era necessário que a música tocasse por pelo menos um minuto, senão era anulado. Se a música executada fosse da autoria de Chico Buarque era considerado um golaço e nunca era anulado, mesmo que apresentasse apenas seus últimos acordes. Após um intervalo de 15 minutos, começava o 2º tempo, também com 45 minutos de duração, e ao seu final tínhamos os resultados definitivos dos jogos da rodada.

O grande clássico daqueles torneios era o jogo Rádio Cruzeiro x Rádio Bahia, pelas razões ditas acima, e o título sempre ficava com uma das duas, embora, de vez em quando, elas perdessem uma partida para uma outra emissora, fato considerado como uma grande zebra.

Atualmente não tenho idéia de quantas emissoras de rádio existem em Salvador, entre AM e FM. Certamente são muitas. Para organizar hoje um torneio entre elas seria necessário dividi-las em grupos, adotar o sistema de mata-mata, criar divisões com acesso e descenso e outras artimanhas do gênero. Ainda bem que não disponho mais de muito tempo livre para o lazer.



Escrito por Luiz Botelho - Salvador - Ba. às 02h17
[] [envie esta mensagem]



SOBRE A RELATIVIDADE DA NOBREZA E DA BELEZA

Luiz Botelho (Janeiro/2005)

Quando eu ainda era uma criança, perguntaram numa prova o nome de dois bairros nobres de Salvador. Por eu ter respondido Mouraria e Tororó, além do zero na questão, fui alvo de gozações tanto na escola como em casa.

Nesta mesma época, quando eu cursava o primeiro 2º ano primário (fui reprovado nesta série por duas vezes), houve um concurso de Miss na escola, onde cada classe escolheu, através de voto secreto, sua candidata para concorrer ao título. Na minha turma todos votaram numa mesma menina – menos eu. Quando a professora citou o nome da minha escolhida, todos na sala caíram na gargalhada. Recordo como se fosse hoje o olhar de reprovação que a professora lançou em minha direção, o que me fez gelar da cabeça aos pés. Certamente ela reconheceu a minha péssima caligrafia no voto lido.

Não me lembro da fisionomia da garota escolhida pela turma, se feia ou bonita, mas sei que era loira. Da minha preferida também não guardo nenhuma lembrança do seu semblante, mas recordo que era negra e votei nela porque era a minha melhor amiga na escola.

Quando minha mãe veio me pegar naquele dia, convocaram-na para uma conversa com a Diretora. Até hoje não compreendo muito bem o motivo de eu ter levado uns puxões de orelha e algumas palmadas quando cheguei em casa. Acho que todos pensaram que eu votei na minha melhor amiga para tirar um sarro dela.

No dia do concurso, a candidata da minha turma, talvez por não ter suportado a grande responsabilidade de nos representar, sentiu-se mal durante o desfile e desmaiou. Lembro perfeitamente que naquele exato momento algo dentro de mim sorriu e falou secretamente: "Viram? A minha candidata era melhor".

Eu devo ser realmente uma pessoa muito estranha. Até hoje considero como nobre as seguintes localidades: Mouraria, onde moravam Tio Tote e Tia Esmé e ainda hoje mora Tia Julia; Tororó, de onde guardo deliciosas lembranças de Vovó Bisa, Vovó Iaiá, Vovó Tina e Vovô Ão; Ladeira da Independência, onde nasci; Campo da Pólvora, onde passei minha infância e adolescência; e Stiep, onde moro há 22 anos e do qual, acho, só sairei para um nobre cemitério. Aliás, pensando bem, é melhor eu deixar que vocês escolham o local da minha última morada.

 



Escrito por Luiz Botelho - Salvador - Ba. às 01h25
[] [envie esta mensagem]



COMO CUIDAR DE UM BEBÊ DE UM A TRÊS MESES

Luiz Botelho (Dezembro/2004)

Ser pai sempre foi para mim um desejo incontrolável e planejava ter o máximo de filhos que me fosse permitido. Isso começou quando minha irmã caçula nasceu, aquela bonequinha que se mexia, chorava e falava sem precisar de pilhas. Contava então com sete anos de idade e ensinei "minha filhinha" a me chamar de Papaiz. Agora, passados muitos anos, a filha dela, "minha netinha", uma princezinha mais bonita do que a mãe, me trata de Tio Vovôiz, tratamento que me deixa sempre emocionado.

Meu curso secundário de pai ocorreu com o nascimento do meu primeiro sobrinho que, quis o destino, foi criado junto a nós como um irmão temporão. Com ele aprendi a carregar um bebê, ninar, trocar fraldas, perder noites e muitas outras atividades que um futuro pai certamente enfrentaria.

Quando minha esposa ficou grávida do nosso primeiro filho, comprei livros, revistas especializadas e tudo mais relacionado aos cuidados que se deve dedicar a um recém-nascido, afinal de contas começaria ali a minha prova de fogo como pai – meu curso superior.

Para complicar um pouco mais a minha tarefa, o pirralho resolveu nascer de sete meses, encurtando meu período de aprendizado teórico. Nos primeiros dias, as maiores dificuldades com que me deparei foram os soluços e as cólicas que não permitiam ao coitado – nem a nós – descansar até a próxima mamada, três horas depois da última, conforme o recomendado.

Lembrei, então, que tinha lido um artigo onde um casal de pediatras norte-americanos relatava a experiência feita com seus filhos e com centenas de seus clientes, sobre como evitar esses dois problemas nos três primeiros meses de vida de um bebê. Embora tenha folheado, página por página, cada revista da montanha que tinha comprado, não consegui encontrar o tal artigo. Não me restava outra alternativa a não ser tentar colocar em prática o método dos pediatras, baseado nas lembranças que eu ainda guardava, fazendo os ajustes necessários em cima dos resultados obtidos.

Como essa experiência foi muito bem sucedida e reaplicada, anos depois, com total eficiência quando do nascimento dos meus outros dois herdeiros, descreverei aqui o procedimento na certeza de que ele pode ser útil a quem pretenda um dia ter filhos.

Para início de conversa é importante frisar que a participação do pai é fundamental na aplicação do método, pois a mãe encontra-se um tanto quanto cansada após os meses de gestação e ao parto em si, principalmente nos primeiros dias. Antes de cada mamada é necessário fazer o asseio completo do bebê, mesmo que ele esteja chorando desesperadamente pelo leite materno. Após a mamada, o pai, ou quem estiver cuidando dele, deverá colocá-lo para arrotar da seguinte maneira: apoie a criança sobre seu peito, que deverá estar inclinado para trás o máximo possível, exercendo uma leve pressão nas costas do bebê com sua mão esquerda e com o dedo polegar sustentando o queixinho dele. Com a mão direita, pressione levemente o seu bumbum (o dele), de forma que os braços e as pernas do neném fiquem soltos e relaxados. Em poucos segundos o bebê irá soltar alguns arrotos bem vigorosos, mas não é hora ainda de colocá-lo no berço e é justamente neste momento que reside o grande segredo. Permaneça nessa posição por mais 10 minutos e é preciso ser persistente porque esses serão os minutos mais longos de sua vida, porém valerá à pena. Após esse tempo é comum o neném soltar uma série de pequenos arrotos e uns punzinhos, liberando bastante gazes que serão fundamentais para um sono prolongado. Coloque-o agora no berço e cuide para que a casa permaneça na mais possível tranqüilidade pelas próximas três horas. Se desejar, aproveite esse tempo para dar uma boa descansada, pois seu bebê não vai acordar tão cedo. Passadas às três horas regulamentares, não acorde o seu preguiçoso filhinho. Comece por introduzir alguns ruídos na casa, ligando o som não muito alto, conversando normalmente com seus familiares, entrando e saindo do quarto do bebê, abrindo gavetas, guarda-roupas etc., pois isso irá acostumá-lo a conviver com a zoada do dia-a-dia sem despertar. Depois de quatro horas de sono é conveniente acordá-lo delicadamente, pois, creiam, se deixar ele dorme a manhã toda e isso pode prejudicar seu sono à noite. Lembre-se que antes da mamada deve-se fazer o asseio do bebê, inclusive na hora do banho, não deixando se impressionar com seu choro de esfomeado, pois isso faz bem aos seus pulmões. À noite, deixe para dar a última mamada às 23 horas, aproximadamente. Pode acreditar que todos terão um merecido e tranqüilo descanso até às seis horas da manhã seguinte. É importante frisar que durante todo o dia não é necessário o uso de chupeta, podendo ser utilizada apenas antes das mamadas, durante o asseio do bebê, com o objetivo de acalmar (ou enganar) um pouco seu apetite, mas em hipótese alguma deverá ser adicionado mel ou açúcar no bico.

Quando meus filhos passavam dessa fase inicial de suas vidas, eu era sempre tomado por um forte desejo de ter outro bebê. Minha esposa engravidou quatro vezes, mas meu filho que se chamaria Luís Edmundo e que estaria este ano fazendo 17 anos, não veio ao mundo. Depois de minha caçula, hoje com 15 anos, minha esposa resolveu dar um basta na minha incontrolável intenção de ultrapassar a China em população. Sofri muito, mas já me acostumei e aviso sempre aos meus filhos: não pretendo aplicar este método em meus netos, portanto, cada um que balance seu Mateus.



Escrito por Luiz Botelho - Salvador - Ba. às 00h24
[] [envie esta mensagem]



SUCESSOS MUSICAIS DA FONTE NOVA

Luiz Botelho (Novembro/2004)

Uma das coisas que mais me encantava quando eu freqüentava a Fonte Nova era quando a torcida do Bahia entoava canções de apoio ao time ou de gozação aos adversários, principalmente nosso maior rival, o Vitória.

Duas dessas canções são bastantes conhecidas de todos: o extraordinário Hino do Bahia e a brilhante música de Zé Pretinho, Bahia Campeão dos Campeões ("Quem é o Campeão dos Campeões? / É o Bahia...")

Porém, várias outras canções fizeram sucesso nos jogos do Bahia e, talvez, só quem tenha assistido ao vivo esses jogos, nas décadas de 60 e 70, possam estar lembradas delas. Como acho importante o resgate da memória do Futebol Baiano, apresento a seguir algumas dessas maravilhas que ainda me recordo e, quem sabe, isso incentive outras pessoas a rebuscar na memória outras pérolas que rondaram os estádios de futebol da Bahia.

A mais antiga que eu recordo era cantada sempre que se aproximava o aniversário de fundação do Vitória: "À treze de maio / na Cova da Iria / Nasceu o Vitória / Freguês do Bahia". Outra antiga que eu lembro, do final da década de 60, é: "Hoje tem Fonte Nova / Não esqueça a bandeira / Hoje joga o Bahia / Alegria a tarde inteira / Bola com Roberto / Entregou para Gajé / Passa por um, dois, três / Ele faz o que bem quer / Entrega pra Jair / De primeira para o Gringo / Passa por um, dois, três / E faz o gol / Mas que gol tão lindo!". Essa outra eu aprendi com meu pai: "Um time eu conheci / De gente convencida / Ruim eu nunca vi / Em toda minha vida / Com bola não quer nada / Seu jogo é uma pelada / Coitado do Vitória / Pra mim, é freguesia / Vitória mascarado / Cadê sua gabola / Falastes em demasia / aprendas a jogar bola / Se queres que eu desista / É grande a ilusão / Pois, queira ou não queira, Vitória / Bahia é o campeão". Tinha essa também: "Já sei porque Bahia / Eu gosto tanto de você / Seja de noite ou de dia / Você nasceu pra vencer / Esse Bahia é mesmo de morte / Tem um timaço legal / Vivem dizendo que dá muita sorte / Isso é despeito / Coisa natural". E mais essa: "Eu sou Bahia de coração / Minha alegria / É vê o Esquadrão / Bota a fibra de aço no jogo / Ele é campeão / Nasceu para vencer / Não é bobo não / Quem quiser vá ver / Bahia, Bahia, Bahia / A torcida vibra / Esse Bahia é fogo / Bahia, Bahia, Bahia / A torcida vibra / Esse Bahia é fogo". E, por fim, uma paródia da antiga música "Taí", feita em 1976, quando o Vitória tinha o Campeonato nas mãos e o Bahia, numa virada espetacular, conquistou o tetra-campeonato, culminando com o hepta, em 1979: "Vivi / Eu fiz tudo pra você ganhar de mim / Dei dois pontos, meia classificação / Mas você nem assim conseguiu ser campeão / Essa história de campeonato / Já tenho tantos que até fica chato / Ganhar mais um é coisa tão normal / Estamos só treinando para o Nacional".

Já dei um toque a um conhecido músico da Bahia, um dos melhores, com o qual tenho a honra de manter uma sólida amizade, e, como me lembro também da melodia das músicas apresentadas, pretendo colocá-las em pautas musicais para que a preservação seja completa. Ficará faltando uma ampla pesquisa para descobrir quem foram esses autores que me proporcionaram tantas alegrias.



Escrito por Luiz Botelho - Salvador - Ba. às 07h28
[] [envie esta mensagem]



A REGRA DEVERIA SER MAIS CLARA

Luiz Botelho (Outubro/2004)

Quando eu acompanhava os jogos do Bahia das arquibancadas dos estádios, não perdoava os erros que o trio de arbitragem cometia contra meu time. Em coro com os demais torcedores, eu xingava e ameaçava de morte aqueles homens de preto (na minha época, geralmente, eles usavam essa cor) que estavam ali, tão somente, para prejudicar meu clube.

Hoje, acompanho os jogos apenas pela televisão ou pelo rádio e me sinto bastante incomodado com as críticas sistemáticas feitas aos árbitros pelos narradores, comentaristas, jogadores, treinadores e dirigentes, que perderam, ou nunca tiveram, o devido respeito por aqueles que deveriam, de fato, serem tratados como autoridades máximas dentro de um campo de futebol.

Muitas vezes um árbitro é responsabilizado pelo número excessivo de faltas cometidas durante uma partida, por não ter pulso para conter a violência em campo, transformando o espetáculo em uma verdadeira batalha campal. Outras vezes a crítica é feita em razão do árbitro aplicar excessivamente os cartões amarelo e vermelho por querer aparecer mais do que os jogadores que são as verdadeiras estrelas do jogo.

Pelo menos no que diz respeito à autonomia das decisões dos árbitros, a regra deveria ser mais clara: jogadores ou treinadores que reclamassem veementemente do trio de arbitragem, o que é muito comum aqui no Brasil, seriam imediatamente expulsos de campo e receberiam punições exemplares dos tribunais esportivos; dirigentes que fizessem declarações públicas ofensivas ou que tentassem de alguma outra forma pressionar ou intimidar qualquer membro da arbitragem, o que também é muito comum no Brasil, seriam definitivamente excluídos do futebol; os torcedores que tentassem atingir fisicamente os árbitros, mesmo que seja com uma "inofensiva" garrafinha de plástico, seriam identificados e proibidos de freqüentar os estádios, além das punições cabíveis aos clubes pelos quais torcem. A imprensa continuaria com total liberdade para fazer qualquer crítica à atuação dos árbitros, mas deveria, na medida do possível, ajudar a incutir no público em geral, que os eventuais erros cometidos por eles são inerentes a qualquer atividade exercida por um ser humano.

Tenho certeza que em pouco tempo nossos jogos ganhariam uma qualidade compatível com o nível dos nossos excelentes atletas e nossos árbitros seriam respeitados mundialmente. Talvez eu até me animasse a voltar a freqüentar os estádios de futebol. Se isso ocorrer um dia vou me controlar ao máximo para não xingar ou ameaçar de morte aqueles homens de trajes coloridos que estarão ali, tão somente, para assegurar o bom andamento do espetáculo.



Escrito por Luiz Botelho - Salvador - Ba. às 00h20
[] [envie esta mensagem]



SERÁ QUE O BRASIL PERDEU UM GRANDE CARTUNISTA?

Luiz Botelho (Setembro/2004)

Quando eu era jovem sonhava em me tornar um grande cartunista. No início dos anos 70 ensaiei os primeiros passos nesta arte escrevendo para a seção "Camisa 12" da Revista Placar. Todo o material publicado desta fase eu recortava e guardava numa grande caixa de papelão que, infelizmente, não resistiu à primeira faxina feita pela minha esposa, no início do nosso casamento. Ela pensou que se tratava de velhos recortes sem valor e, aproveitando-se da minha ausência, jogou tudo na lixeira do Condomínio, por considerar aquela caixa um local ideal para futuro ninho de baratas, conforme se justificou na época.

Hoje em dia, vivo brigando com a minha memória que insiste em esquecer quase tudo que leio, escuto ou prometo. Porém, muitas coisas que escrevi naquela época lembro quase que textualmente e aproveito esse espaço para apresentar uma amostra para que vocês mesmo avaliem se eu tinha ou não futuro como cartunista.

Uma das primeiras que saiu publicada foi uma gozação com o campeonato pernambucano. Na semana anterior, um cabra-da-peste daquelas bandas teve a ousadia de criticar o futebol baiano que, apesar de não ser essas maravilhas toda, dava de mil a zero no campeonato deles. Lá era comum os três chamados grandes aplicarem impiedosas goleadas nos demais adversários. Durante aquela semana caiu um temporal em Recife que deixou todos seus estádios impraticáveis ao futebol. Juntei tudo isso e escrevi: "Devido às enchentes de gols, os torcedores pernambucanos rezam aos pés da Santa Cruz, para que o Sport no estado não se resuma a um torneio Náutico". Me senti vingado.

Outra que me lembro foi quando Pelé, após a milésima despedida do futebol, assinou contrato para atuar no Cosmos e foi ensinar os norte-americanos a jogarem bola. Naquele mesmo ano, o Santos fez uma péssima campanha no campeonato paulista e acabou desclassificado ainda na primeira fase. Eu saquei imediatamente qual foi a razão: "O Santos não resistiu às saudades de Pelé. Acaba de ir para o espaço, afim de ver o Negão no Cosmos".

Peguei no pé também de Emerson Fittipaldi quando ele cismou em construir o primeiro carro brasileiro de Fórmula 1. Aliás, de brasileiro mesmo só tinha os pilotos (o outro era seu irmão Wilsinho) e o dinheiro do Copersucar, que patrocinava a empreitada. Primeira temporada, fiasco total. Os carros, quando conseguiam lugar no Grid, terminavam nas últimas colocações, muitas voltas atrás dos líderes – isso quando não quebravam. No ano seguinte, a Revista Placar publicou uma ampla reportagem apresentando as novidades do novo carro brasileiro. Não resisti e escrevi: "De todas as novidades do Fitti II, a mais original foi a troca do conta-giros por um marca-passo". Começa a temporada, GP da Argentina e, incrível, Emerson termina em terceiro, levando ao pódio o carro brasileiro. Segunda prova, GP do Brasil e, inacreditável, Emerson vence a corrida. Não tive outra saída a não ser dar minha mão à palmatória: "Como dizia nosso amigo Gibran, ‘as tartarugas conhecem as estradas melhor do que os coelhos’. Pois é, nosso Emerson, ano passado, era tal qual uma tartaruga, a conhecer todos os autódromos do mundo. Hoje é um coelho". Outro tiro fora do alvo. Terminada a temporada sul-americana, as grandes equipes lançam seus novos carros para a fase européia do campeonato e lá se foram os irmãos Fittipaldi e o dinheiro do Copersucar de volta à rabeira. Bom, meu sonho era ser cartunista e não advinho.

Alguns meses mais tarde, a Revista Placar contratou o cartunista Laerte para cuidar da página de humor. Colaborei por muito tempo com minhas piadas e, creiam, o Laerte gostava muito de mim. Quando ele lançou uma nova seção, "Pontapé Inicial", dirigida a novos cartunistas, peguei lápis, borracha e canetas esferográficas de várias cores e me pus a tentar desenhar as idéias que me vinham aos borbotões. Semana seguinte, abro a revista e lá estava um dos meus cartuns publicado e a seguinte mensagem do Laerte: "Já estava fechando a página quando, como diz a Isaurinha, ‘o carteiro chegou e meu nome gritou com uma carta na mão’. Era do Luiz Botelho, o baiano que não perde tempo. Está com um personagem, o Rufino, aprontando as maiores. Agora, chamar o Botelho de estreante é o mesmo que chamar feijoada de lanchinho. O Botelho escreve para a Placar desde que a revista era contada nos dedos, mas, como a sacada está boa, aí vai. Botelho, te manca aí que tão achando que estamos de caso". O cartum publicado tinha o título "Rufino e o musibol" e era composto por dois quadros. No primeiro, jogadores e torcedores do Bahia faziam a maior festa. Charanga, bandeiras tricolores tremulando, todos caminhando em direção a um vestiário com a identificação: "Grupo dos Vencedores". No segundo, jogadores e torcedores do Vitória chorando copiosamente, bandeiras rubro-negras enroladas, todos se dirigindo a um outro vestiário denominado de "Grupo dos Perdedores". No primeiro quadro Rufino dizia: "Enquanto o Bahia vai em ritmo de samba rumo à classificação..." e completava no segundo "...o Vitória vai em ritmo de choro a caminho da repescagem". Semana seguinte e o cartum publicado era do meu irmão Arival. A mensagem de Laerte dizia: "O estreante da semana é Arival de Morais Filho. Não vou pôr o sobrenome senão vocês vão achar que estou de sacanagem. Vou pôr sim. É Botelho, e daí? No Nordeste só existem duas pessoas realmente gente fina: o Luiz Botelho e a misteriosa Miss Inhame que por sinal não recebi ainda as fotos...".

Porém, um grande desastre aconteceu comigo e mudou completamente meu destino. Consegui a 194ª colocação das 200 vagas oferecidas pelo Curso de Engenharia Civil da Ufba, em 1975. O resultado disso, todos vocês conhecem muito bem.



Escrito por Luiz Botelho - Salvador - Ba. às 07h18
[] [envie esta mensagem]



POR QUEM MEUS FILHOS TORCEM

Luiz Botelho (Agosto/2004)

Por influência do meu pai e dos meus irmãos mais velhos, sou torcedor do Bahia desde pequenininho. A partir dos meus 15 anos, quando a Fonte Nova foi ampliada e reinaugurada em 1971, comecei a acompanhar os jogos do Bahia diretamente do Estádio, o que só fez crescer em mim essa paixão pelo Tricolor de Aço, tantos momentos bons passei ali.

Porém, na década de 80, quando eu me casei e meus três filhos nasceram, aos poucos, fui dividindo essa paixão por meu Clube com a minha nova família e, quando me dei conta, me vi afastado da Fonte Nova, principalmente quando me mudei para um bairro distante do Estádio, em 1984.

Mesmo assim, tentei de todas as formas influenciar meus filhos a torcerem pelo Bahia mas, infelizmente, não obtive êxito. Meu filho mais velho (que chegou a ser mascote do Bahia) e minha filha do meio, tornaram-se torcedores do Vitória, provavelmente motivados pela pequena supremacia regional e um relativo sucesso nacional, com a conquista de um vice-campeonato brasileiro, justamente quando eles tinham uma idade que já não pegava bem ficar "virando folha".

A minha filha caçula é a única que hoje em dia, moderadamente, ainda torce pelo Bahia, embora, há alguns anos atrás, após o Tricolor sofrer mais uma goleada do Vitória no Barradão, e não suportando mais as gozações dos irmãos mais velhos, ela tenha me dito: - Pai, eu torço pelo Bahia, mas quando eu crescer vou torcer pelo Vitória, viu?

Espero que ela tão cedo não perceba que já cresceu!



Escrito por Luiz Botelho - Salvador - Ba. às 01h25
[] [envie esta mensagem]




[ ver mensagens anteriores ]