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Livro se abrindo


UM BOM ALUNO DEVE RESPONDER ÀS QUESTÕES COM BASTANTE CLAREZA?

Luiz Botelho (Março/2006)

Eu não gostava muito de estudar, principalmente quando a matéria ou o assunto não me interessava vivamente. Isso me causou problemas em todas as minha fases escolares, do primário à universidade. Apesar disso, sempre mantive um bom relacionamento com quase todos os meus mestres, embora eu perturbasse de vez em quando o bom andamento das aulas dizendo algumas frases de efeito, minha especialidade, o que sempre provocava risos generalizados dos demais alunos e, às vezes, dos próprios professores.

A melhor recordação dessas brincadeiras que guardo na memória vem de quando eu tinha 15 anos e cursava o 1º ano secundário, mesmo tendo sido reprovado direto naquela oportunidade em todas as matérias sem direito a fazer as provas finais.

Numa das provas de História Geral, das dez questões discursivas, apenas duas ou três eu conseguiria dar uma enrolada e escaparia de levar um zero. As outras questões, eu não fazia a menor idéia do que se tratava. Não tinha estudado a matéria e não havia escapatória – outra nota baixa. Porém, depois de ler atentamente às instruções que o professor colocou antes do enunciado das questões, algo me iluminou e eu acabei por responder todas elas utilizando integralmente os quatro lados do papel pautado.

Esse professor tinha o hábito de entregar as provas da nota mais baixa até a mais alta, chamando aluno por aluno que se dirigiam à sua mesa para pegá-las. Os primeiros que eram chamados já sabiam que tinham se dado mal. Iniciada a distribuição das provas, eu comecei a ficar bastante preocupado, pois meu nome não constava entre os primeiros como era habitual. Entregue a penúltima prova – um dez ao melhor aluno da sala – só eu não tinha sido chamado. Então, o professor começou a fazer um discurso que transcrevo a seguir mais ou menos do jeito que eu me lembro: "Estou aqui com uma prova de um aluno que só há pouco tempo atrás consegui definir sua nota. Em todos esses anos que ensino, eu nunca tive tanta dificuldade em corrigir uma prova. Fiquei alguns dias tentando encontrar uma razão para as respostas dada por esse aluno. Mostrei a prova à minha esposa, também professora bem experiente, e ela, sem pestanejar, sugeriu um zero bem redondo. Não era simples assim. Alguma coisa estava por trás daquelas respostas, só que eu não estava conseguindo entendê-las. Hoje pela manhã, no trajeto de casa para a escola, minha esposa ao volante, eu ainda observava essa prova que tanto me intrigara. Que nota devo dar? – me questionava constantemente. Foi quando, de repente, finalmente, enxerguei a lógica por trás das respostas. Dei gritos de felicidade e alívio que assustaram minha esposa ao lado: Heureca! Heureca! Fantástico! É um gênio! Merece um dez!. Minha esposa pediu que eu me controlasse e deixasse de maluquice, pois esse moleque merece zero e uma boa surra dos pais." O professor, então, em tom solene, finalizou: "Por favor, Sr. Luiz Antonio Mendes Botelho, levante-se." (Naquele momento eu já não sabia aonde enfiar a cara. É exatamente nessas horas, em que me torno o alvo das atenções, que a minha timidez aflora até a pele – o sangue totalmente concentrado em minha face). "Meu caro", prosseguiu ele, "como professor de História não tenho outra opção a não ser lhe dar uma nota zero. Porém, como que para te compensar os momentos de euforia que você me proporcionou nestes últimos dias, peço que toda a turma te aplauda de pé e gostaria de te dizer que, do fundo do meu coração, você merece a maior nota do mundo."

Honestamente, acho que esse querido professor exagerou um pouco nos elogios. A brincadeira (ou molequeira) que fiz foi a seguinte: Uma das instruções da prova, pedia que os alunos respondessem às questões com bastante clareza. Eu não contei conversa: Questão 1 – Clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza...; Questão 2 – Clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza...; ... ; Questão 9 – Clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza...; Questão 10 – Clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza, clareza..., e fui assim, respondendo todas as questões com bastante clareza, até preencher completamente o papel pautado.

Ao repetir esta série, no ano seguinte, não tive o privilégio de ser aluno, mais uma vez, desse professor de História Geral, mas fiz questão de lhe mostrar as boas notas conseguidas por mim na matéria em que ele era mestre. A partir de então, tive um razoável desempenho em todas as matérias até à conclusão do curso secundário. Na Universidade, a coisa novamente desandou, mas isso já é uma outra história...



Escrito por Luiz Botelho - Salvador - Ba. às 00h34
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